Artigo: As Quatro Estações da Advocacia - Lara Selem ( @laraselem )
Título: As Quatro Estações da Advocacia
Autor: Lara Selem
Ouvindo um dos mais belos concertos para instrumentos de corda já criados, As Quatro Estações do italiano Antonio Vivaldi, fica claro o quanto os ciclos da Natureza se repetem nas nossas vidas, em especial na nossa vida profissional. Pode parecer estranho comparar a Natureza e Advocacia através de um concerto, mas não é. A vida acontece em ciclos e em ciclos evolui nossa profissão. A música entra como pano de fundo, mostrando que o princípio que move a advocacia é a arte de criar teses únicas, assim como o que move a música é a arte de criar melodias únicas. Assim se formaram os grandes mestres, e assim sempre será.
As Quatro Estações foram originalmente publicados em 1725, incluídos numa coleção de doze concertos de Vivaldi, sob a designação genérica de "Il Cimento dell' Armonia e dell' Invenzione" ("A luta da harmonia e da criação"). As Quatro Estações correspondem aos primeiros quatro desses doze concertos e traziam já os títulos que hoje lhes atribuímos - "A Primavera", "O Verão", "O Outono" e "O Inverno". Eles são complementados por quatro sonetos, um para cada estação, para alcançar as cenas imaginadas por Vivaldi, cuja tradução livre de alguns trechos segue abaixo. Experimente ouvir As Quatro Estações de Vivaldi enquanto lê este artigo.
A Primavera
Chegada é a Primavera e festejando
A saúdam as aves com alegre canto,
E as fontes ao expirar do Zeferino
Correm com doce murmúrio.
Vivaldi inicia com A Primavera, estação das flores, numa alegre melodia interpretada pelos violinos mostrando o despertar, o renascer da Natureza. Há uma ascensão progressiva da luminosidade para descrever o nascimento de uma natureza transbordante de vida, daí que o ambiente esteja inundado por luz e cor. É o início da vida.
Para nós, é o momento em que, cheios de energia, planos e sonhos, deixamos os bancos das Faculdades de Direito para desvendar um mundo novo, o da Advocacia, onde poderemos colocar em prática toda teoria que aprendemos. É um tempo de festa e de esperança. Temos a suavidade da inocência, do idealismo, da pureza. Nascemos aqui, como advogados. E em nossas mentes vibram os planos para o futuro. Se eles estiverem no papel, maiores as chances de se concretizarem.
O Verão
Sob a dura estação, pelo Sol incendiada,
Lânguidos homem e rebanho, arde o Pino;
Liberta o cuco a voz firme e intensa,
Canta a corruíra e o pintassilgo.
No segundo concerto, O Verão, estação do calor, um outro ritmo aparece, com breves motivos realizados pela orquestra separados entre si por silêncios, que parecem evocar a respiração lenta e profunda, não esquecendo as escalas descendentes nos violinos, continuadas pelas violas e baixos, e repetidas em tom mais alto evocando um ambiente relaxante e silencioso.
Nesse ciclo, nossa Advocacia passa pelo calor da prática e da realidade cortante do dia-a-dia. Somos forçados a aprender fazendo, acertando e errando, e isso muitas vezes é doloroso como o sol ardente e denso do meio-dia. Por vezes, pensamos em desistir, mas nossas experiências também trazem a brisa que nos faz continuar acreditando nos ideais que nos moveram até aqui. E que, apesar de nuvens negras, após a tempestade virá o intenso aprendizado. É a juventude da nossa Advocacia. Lidar com clientes, organizar o escritório, comandar uma equipe, experimentar casos novos, administrar honorários são objeto de reflexão, aprendizado e de escolhas estratégicas.
O Outono
Faz a todos interromper danças e cantos,
O clima temperado é aprazível;
E a estação convida a uns e outros
Ao gozar de um dulcíssimo sono.
Na terceira parte, O Outono, estação da queda das folhas e do nascimento dos frutos, Vivaldi inicia com a orquestra a interpretar uma bela e simples melodia dançante. Da mesma forma, podemos visualizar esta dança através do vento de Outubro (no hemisfério norte) que despe freneticamente os arvoredos para, de novo, a Natureza cair num adormecimento profundo. A Natureza fica com as suas cores esbatidas, mergulhando na hibernação da terra. Outono é a apoteose da cor. É o triunfo da grandeza.
Aqui, nossa Advocacia adquire o equilíbrio, nossas ações são frutos de reflexões, nossa energia é mais contida e melhor utilizada. Já alcançamos várias e bem sucedidas metas que reforça que estamos no caminho certo. As dores que já sofremos no aprendizado servem de ventania para levar todas as folhas amareladas do livro de nossa vida. Pensamos mais antes de agir. Somos mais cautelosos que antes. Nossa Advocacia está madura, pronta e serena. Assistimos nossa missão ser concretizada e reforçamos nosso posicionamento. Os problemas continuam a existir, mas já sabemos como lidar com eles.
O Inverno
Agitado tremor traz a neve argêntea;
Ao rigoroso expirar do severo vento
Corre-se batendo os pés a todo momento
Bate-se os dentes pelo excessivo frio.
No quarto e último concerto d'As Quatro Estações, Vivaldi apresenta O Inverno, estação do frio intenso. Os primeiros acordes dissonantes da orquestra mostram a queda da neve e o rigoroso frio do Inverno. A música, através do violino, em escalas descendentes e arpejos, anunciam a neve que chega. A orquestra acompanha o violonista marcando a harmonia e o ritmo, imitando o vento frio e arrepiante que gela os rios, afasta os pássaros ávidos de calor e desnuda as árvores.
Nossa Advocacia parece velha e cansada, como se tivesse perdido a beleza e o vigor da juventude, como se compreendesse que tudo passa e que seu dever foi cumprido. É o momento da renovação, de deixar a nova primavera renascer. De mudar o que precisa ser mudado. De enfrentar as decisões difíceis e recomeçar de novo, reinventar a nossa prática com a mesma energia que nos moveu nos nossos primeiros anos de profissão.
Enfim, os ciclos de mudanças acontecem a cada instante, não importando em qual momento nos encontremos. O que importa realmente são as decisões a serem tomadas. "Il Cimento dell' Armonia e dell' Invenzione" significa lutar pelo equilíbrio entre as regras e a criatividade. E isso não é apenas uma necessidade, mas uma missão fundamental para sobreviver nas quatro estações da Advocacia.
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Lara Selem - advogada, escritora e consultora em Gestão de Serviços Jurídicos. Sócia da Selem, Bertozzi & Consultores Associados. Executive Master in Business Administration pela Baldwin Wallace College (EUA), especialista em Gestão de Serviços Jurídicos pela EDESP - FGV/GVLaw (SP). Autora dos livros "Estratégia na Advocacia" (Juruá, 2003), "Gestão Judiciária Estratégica" (ESMARN, 2004), "A Reinvenção da Advocacia" (Forense/Fundo de Cultura, 2005).







Comentários
6 comments postedKarolina / November 20, 2008, 2:05 PMreally interesting! How much of that represents the Italian culture? We already know that Italians tend be more of an ‘exclusive-unique-exotic’ type of people, so do you think that these characterisics apply to the Lamborghini-police concept as well? did they introduce this police car for practical reasons or are there othe reasons underlying the concept? to be innovators for exmaple and to suggest that their police is as fast as the car..
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tennisaddict / December 3, 2008, 12:09 PMMac users are just too overwhelmed by the abundance of choices and the ensuing confusion that a right click button brings to their lives.of course i’m kidding. but its true. not really, but no, but yes, but, no… see… macs don’t have right click buttons.on a serious note; they choose macs because they are expensive and hold value and look pretty; not because they are super awesome machines. I just recall when I wanted to buy my sis a usb camera so she could skype family overseas. Well, come to find out, most cameras you can buy in a “store”, aren’t supported by macs. Though there is a mac driver (i forget what its called), it wouldn’t work. So, my point is simply this, you get what you pay for and that’s it. No upgrades, no mods, no soup for you, unless you buy a new macbook. If you think that MS is this evil restrictive company, you haven’t really thought about how tied into apple things mac users are. I don’t have to use anything that’s MS. I can pop in all kinds of brands into a pc; but Mac users are stuck using only apple gear for the entire existence of their lappy. Apple is the prime example of anti-competitive behavior. The only reason they aren’t being rimjobbed (no pun intended) by the antitrust division is because they are still relatively small. In short, what I find is that mac users fail to act in their own best interest.
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/ October 16, 2007, 10:56 PMOld Technician:Only clueless and careless users succumb to the issues you point out.Fact: The RIAA and MPAA seed countless fake torrents meant to entrap torrent users, and connect to legitimate ones to track users. Windows users can use torrent, too, and the smart ones don’t touch the other forms of P2P.Fact: A Windows user with Firefox and a brain is also immune to the “million” non-Microsoft (they didn’t make them) malware/virus/trojan/bot/exploits, as well, meanwhile the vast majority of Macs will fall like a house of cards the moment the first Mac viruses start spreading, since the users don’t bother to protect themselves.Fact: Windows also hooks up to wifi systems with two clicks.Fact: Biased MacWorld articles don’t mean much to me, not to mention a savvy Windows user can get away without spending ANY extra money on their Dell notebook and WITHOUT resorting to illegal measures.Fact: The local Geek Squad, since our Best Buy has begun selling Apple computers, has seen more of them brought in for service than any other brand.Fact: Those Acer and Dell notebooks sure cost those Ubuntu users a heck of a lot less money than those Macs, and are running arguably a better OS, so look who the smart users were.Any intelligent user turns on auto-save in Office (or the equivalent) and makes Ctrl+S a habit during every pause. My Windows installation is stable, runs smoothly, never crashes, hasn’t been infected by anything in years, and works with far more useful software available on the ‘net than any Mac.Windows works if you’ve got at least half a brain. If not, then I guess a Mac is for you, because more than one mouse button and a delete key is too confusing.
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Old Technician / October 16, 2007, 3:15 PMLitigation and malware direvn market, as colleges and students respond to threats from lawyer groups like the BSA (wholly owned and operated by Microsoft!), and the RIAA/MPAA.Fact: The RIAA and the MPAA do NOT have built-in back doors for tracking, in Bit Torrent, like they have in Limewire and some other US based fileshare programs! Mac can use Torrent.Fact: Apples are immune to the million Microsoft malware/virus/trojan/bot/expoits.Fact: Apples hook up to the wifi system with two clicks.Fact: An Apple with full pro software ready to go to college, costs ~$950 LESS than a comparable Dell laptop, even considering the ~$650 Dell discounts their nagging trialware! (MacWorld magazine, Aug. 2006)Fact: Apple is #1 in all surveys of quality, and of customer support. (Consumer Reports, Jul., Aug.,Sept., 2006; Oct 2007).Fact: There is one Acer laptop, and one Dell laptop in the audience, running Ubuntu. It is like running Macintosh software on the PC, immune to the million Microsoft virus/trojan/bot/malware/exploits, and the RIAA/MPAA trackers.Who can afford to lose their work due to lost saves' in MS, or, to malware, in Microsoft?No thanks, Microsoft! Mac or, if already in possession of a laptop, Ubuntu, or it's cousin, Mepis, are the good choices!
maravilhosa interpretação
muito bom, mas vc teria de colocar uma pequena bibliografia, desejo encontrar os trechos todos da obra,
como:
O Inverno
Agitado tremor traz a neve argêntea;
Ao rigoroso expirar do severo vento
Corre-se batendo os pés a todo momento
Bate-se os dentes pelo excessivo frio.
Sou violinista e considero sua observação certissima!!!
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