Artigo: Uma declaração de amor - Meu amor incondicional pelo direito!
Uma declaração de amor - Meu amor pelo direito!
"O sonho não acabou" – dizia John Lennon
Advogada sempre fui. Sou advogada por destinação genética. Mas não só por isto: sou advogada por amor.
Dizia Goeth que “só a arte permite a realização de tudo o que na realidade a vida recusa ao homem”.
Como seria um jurista “romântico”. ?
A Constituição seria a sua “musa inspiradora”.
O culto à lei não mais prevaleceria de forma absoluta; afinal, este jurista já tem uma paixão: a Constituição.
A lei, porém, teria o seu valor: dar um norte ou um auxílio ao jurista, sem esvaziar a sua criatividade.
A sentença “romântica” seria realmente uma sentença, ou seja, um sentir, onde a vontade de fazer justiça ao caso concreto circularia como sangue nas veias do juiz.
Sonhar é importante, mas não suficiente. É preciso fundamentalmente “agir”.
João Mangabeira, biógrafo, diz que "em nossa língua, nenhum escritor foi maior do que RuyBarbosa: porque nenhum possui, como ele, a grandeza, a abundância, a força, o brilho, a eloquência, a pureza. E quando quer,o encanto, a doçura, a suavidade. E, ao mesmo tempo, a ironia e o sarcasmo."
Arte também pode ser traduzida pela fala que leva o ouvinte a viajar para o até então mundo desconhecido, conviver com fatos até então estranhos e conhecer um pouco dos artistas, os criadores daquele universo, que era só deles e passou a pertencer também ao ouvinte, antes um intruso, um estrangeiro, que de agora em diante compartilha e às vezes determina o rumo e recria em sua mente e em sua imaginação um novo e fascinante espaço – tempo, com novas interpretações ou vontade de fazê-lo, ou, como no caso das palestras, participar da mesma criação e das mesmas idéias, louvando-as, aplaudindo-as e seguindo-as.
Eis o poder de um artista, de um conferencista, de um cientista do direito, de um artífice da palavra, de um artesão ou de um ourives da imaginação e da inteligência, o construtor de um diálogo.
O talento dos cultores do direito desenvolve-se no amor que põem no que fazem.
“O Direito é como Saturno devorando os seus próprios filhos; não pode remoçar sem aniquilar seu próprio passado, um direito concreto que se vangloria da sua existência para pretender uma duração ilimitada, eterna, recorda o filho que levanta a mão contra a sua própria mãe. Insulta a idéia do direito, invocando-a, porque a idéia do direito será eternamente um movimento progressivo de transformação; mas o que desapareceu deve ceder lugar ao que em seu lugar aparece, porque... “tudo o que nasce está destinado a voltar ao nada” (Goethe, Fausto)
Para Ihering somos sempre responsáveis pelo nosso direito. E ele sempre será oriundo da luta.
Ihering cita que "a justiça sustenta numa das mãos a balança com que pesa o direito, enquanto na outra segura a espada por meio da qual o defende. A espada sem a balança é a força bruta, a balança sem a espada a impotência do direito. Uma completa a outra, e o verdadeiro estado de direito só pode existir quando a justiça sabe brandir a espada com a mesma habilidade com que manipula a balança.”
Mas como o próprio autor menciona em sua obra, nem mesmo o sentimento de justiça mais vigoroso resiste por muito tempo a um sistema jurídico defeituoso: acaba embotando, definhando, degenerando. É que, a essência do direito está na ação. O que o ar puro representa para a chama, a ação representa para o sentimento de justiça, que sufocará se a ação for impedida ou constrangida.
Não basta só querer, a ação é essencial. "Os navios estão a salvo nos portos, mas não foi para ficar ancorados que eles foram criados.”, ou seja, de que valem leis, onde falta nos homens o sentimento da justiça?”
É nisso que eu acredito!
E mais uma vez , deixo registrado o meu amor pelo estudo do direito e de que "A Luta pelo direito" é um opúsculo imortal, porque revela uma verdade científica, e incita as almas para a conquista de um nobre ideal de paz e de justiça.
Para Ihering, na verdade o que produziria estes ideais, seria o simples sentimento de dor, sendo o grito de alarde para a natureza ameaçada.
A dor que o homem experimenta, quando é lesado no seu direito , contém o reconhecimento espontâneo, instintivo e violentamente arrancado, do que é o seu direito, primeiro para ele, indivíduo, em seguida para a sociedade humana.
A verdadeira natureza e a essência pura do direito revelam-se mais completamente nesse só momento, do que durante longos anos de pacífica fruição.
O direito violado, leva-nos a uma reação de defesa pessoal, sendo então, o direito ligado ao idealismo, constituindo um direito para si próprio.
E essa essência pode ser entendida como aquele idealismo que na lesão do direito não vê somente um ataque à propriedade, mas a própria pessoa.
Calou profundamente o meu espírito, quando vi a dor de um idealista, estudioso profundo e apaixonado pelo direito assim como eu sou...
Mesmo que sejamos "nuvens passageiras" – como canta Hermes de Aquino -, é necessário que assumamos nossa responsabilidade de seres históricos responsáveis por nossa caminhada, pelo cultivo das vontades.
E a utopia deve se constituir como o cultivo das vontades coletivas, como a estrada que traçamos e cujos traços modificamos a cada passo e não um fim.
A Utopia não é a ilha no meio do oceano, mas a enorme ponte que construímos para chegar lá.
A utopia somos nós, é ela que nos dá o significado da nossa existência, e por isso não podemos perdê-la, sob o risco de perdermos a nós mesmos, de encontrarmos a nossa desumanização.
Por isso o plágio a Lennon: "o sonho não acabou", não pode acabar, não vai acabar!
Kathia Mattos







Comentários
4 comments postedOpa! Sou um tecno-otimista assumido então vou logo me apresentando!Mas vou pedir licença para dar algumas definições próprias para otimismo e pessimismo:O otimismo sem controle naturalmente se degenera em acomodação, afinal tudo vai dar certo, sabe-se lá porque ou graças a quem e, em sua miopia fanática ele vai se ajustando aos desastres provavelmente atribuindo-os a um misterioso plano divino.O pessimismo sem controle naturalmente se degenera em acomodação (é isso mesmo, igualzinho acima), afinal tudo vai dar errado mesmo então o melhor a fazer é cuidar de mim mesmo e os outros que se danem.O otimista patológico é um alienado, o pessimista patológico um egoÃsta.Geralmente…… Na minha experiência pelo menos Com certeza é melhor não ser nem otimista, nem pessimista, pelo menos não do tipo patológico.Por outro lado não acredito muito que nós sejamos capazes de caminhar estritamente no meio, vulcanos donos de uma lógica acima do pessimismo ou do otimismo.Em humanos acredito mais em um tipo de móbile das duas forças para impedir justamente o mergulho irreversÃvel em um ou outro.Outro ponto a considerar é que algumas personalidades gostam do desafio do impossÃvel para estimulá-las e outras se sentem completamente esmagadas se não tiverem certeza que tudo dará certo no final. O pessimismo ponderado estimula os primeiros e o otimismo (sempre ponderado) dá força aos outros.Apesar de me definir como otimista talvez minha visão de mundo pareça bem pessimista e confesso que adoro o desafio das causas impossÃveis.Alguns exemplos:Creio que nossa espécie terá que enfrentar enormes perdas de vidas por conta do esgotamento dos recursos materiais e mudanças climáticas que reduzirão drasticamente a oferta de alimento e liberarão doenças que estão adormecidasCreio que a Internet não foi criada para o bem da humanidade, mas como parte de um fenômeno informacional que provavelmente nos transformará (na verdade já está transformando) em escravos da coleta de informações, processamento de dados, criação de unidades culturais (como vÃdeos criativos) e o fluxo disso tudo, da mesma forma que já fomos escravos da produção de bens materiais.Como bem observaram recentemente a cultura hipertextual é um duro golpe contra o raciocÃnio linear, essencial para construir uma linha de pensamento lógico e não vejo sinal da construção de novos caminhos sinápticos para lidar com essa estruturaNão vejo a menor chance da nossa sede consumista diminuir. Ou nossa espécie começa a criar colônias fora da Terra ou nossos problemas serão ainda maiores. E sinceramente, alguém vê possibilidade de fazermos isso? Creio que só o otimista patológico Apesar disso tudo me defino como otimista pois também não vejo como a nossa espécie poderia ser completamente exterminada (a menos que sejamos atingidos por um grande cataclisma cósmico como o impacto com um cometa ou asteróide muito grande) e considero lógico supor que, diante disso, nossa civilização continuará seu caminho evolutivo seja lá para onde for.Também acredito que nossa tendência é em direção a uma estrutura onde há menos dor para cada indivÃduo da nossa espécie e de outras. Ou seja, talvez milhões de pessoas morram em consequência do otimismo que nos fez subestimar as mudanças climáticas nos últimos séculos (a peste negra já foi um grande cataclisma ecológico e… bem… Tempos depois desenvolvemos o saneamento urbano, mas permanecemos cegos para outros problemas), mas o sentido do nosso desenvolvimento parece apontar para uma cultura mais empática, democrática e outros princÃpios que nos parecem moralmente bons.Bem, mas me parece que o ponto central do seu post é: tercerteza de que tudo irá bem ou que tudo vai se acabar nos impede de agir. Concordo plenamente!Como você disse ainda há pouco: estar otimista é diferente de ser otimista.Ah! Tenho mais uma razão para me apresentar como otimista: pelo menos nas minhas redes sociais online e offline reina um pessimismo absoluto que tem certeza do fim da humanidade e que somos um tipo de praga que deveria ser erradicada do planeta Terra para que ele possa seguir em paz.Isso é um absurdo…à como dizer que meu corpo é uma massa de carne repleta de pecado que impede minha alma de alcançar a iluminação e que por isso cometerei o suicÃdio.Do ponto de vista humano a Terra só faz sentido como nosso lar, mas tenho visto que, antes de preservar a Terra precisamos resgatar o amor próprio dos humanos.Por isso me apresento como otimista e levo mensagens otimistas para equilibrar o profundo pessimismo que tenho visto.…Mesmo tendo certeza que em uns 50 ou 80 anos criaremos uma forma de consciência eletro-mecânica que nos tornará obsoletos e manterá apenas alguns humanos em zoológicos!Pronto! Falei! Dei vazão aos meus devaneios ciberpunks de nerds apaixonados por Philip K Dick e Douglas Adams
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Prezado Nepomuceno,Este tema me lembrou um outro post teu a respeito dos seguidos e seguidores, formando assim um “filtro humano”. à uma belÃssima solução para o “overload” de informação, cabendo a cada um escolher a linha a seguir.Felicidades,Formanski
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Estoy totalmente de adureco con vuestro planteamiento. Estoy cursando primero de Derecho y estoy aterrada con la inmensa cantidad de contenidos be1sicos de los que ni siquiera he oeddo hablar. Y no es precisamente por falta de estudio ya que termine con muy buenas notas. Es vergonzoso que algo tan necesario en nuestras vidas como el Derecho sea deslpazado en la ensef1anza secundaria por otras asignaturas de cultura general. las reglas del juego son escenciales para nuestro desarrollo en la sociedad y es imprescindible incorporarlas en ledneas generales, por lo menos en el bachillerato. Por mi propia experiencia hay muchos vacedos entre lo que es la ensef1anza be1sica y la superior. Muchas cosas quedan en el limbo y es difedcil seguir el ritmo para los alumnos. Y del Digesto ni hablar, si no sabes latedn
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