Bullying Escolar e a Visão do Ministério Público - Drª. Soraya Escorel e Drº. Alley Escorel - Parte I

Enviado por kathiamattos, qua, 13/10/2010 - 16:22

 

BULLYING ESCOLAR E A VISÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO NO
ENFRENTAMENTO DO PROBLEMA

Alley Borges Escorel
Soraya Soares da Nóbrega Escorel

INTRODUÇÃO

O Ministério Público com o passar dos anos vem assumindo funções mais amplas perante a sociedade, exigindo cada vez mais dos seus membros um conhecimento interdisci-plinar sobre problemas que afligem a sociedade. Sem que notemos o Ministério Público pas-sou a exercer forte influência no meio social e passou a ser ente responsável por grandes mo-dificações, atuando como verdadeiro transformador social.
Segundo Ferreira (2008, p.12),
É certo [...] que o Promotor de Justiça teve sua atuação remodelada para abranger áreas conexas que não eram especificamente próprias de sua atuação. [...] a atual Constituição Federal (1988) apresenta o Ministério Público com um novo perfil institucional, como guardião dos direitos fundamentais assegurados ao homem, defensor dos ideais democráticos e dos interesses sociais. A dimensão social do direito, que via de regra se realiza por meio de políticas públicas, encontrou respaldo na atuação institucional do Ministério Público, que acabou por adquirir destaque no Estado Social e Democrático de Direito, contemplado pela nova ordem constitucional. Este novo perfil institucional do Ministério Público é muito mais amplo e carregado de novas atribuições [...] não se limitando [...] às questões jurídicas e processuais, sobretudo voltadas à área criminal, que era sua vocação original. A atuação do Promotor de Justiça passou a contemplar questões relativas à educação e uma efetiva proteção aos direitos fundamentais, com especial atenção às crianças e aos adolescentes [...] (grifo do autor).

A partir da Constituição Federal do Brasil 1988 muita coisa tem mudado, inclusi-ve, quanto à necessidade de aperfeiçoamento e transformação de concepções dos próprios membros e representantes do Ministério Público. Compreendemos que este é também um trabalho de caráter educativo, ancorado, mormente, no pressuposto de que o Promotor de Justiça não precisa ter apenas conhecimentos legais e jurídicos sobre os temas e matérias cor-relatas a sua esfera de atuação, mas precisa ter consciência de expandir conceitos e aprofun-dar conhecimentos sobre áreas ou disciplinas até bem pouco tempo restritas a área de ciências humanas e sociais. O membro do Ministério Público precisa compreender que o diálogo com disciplinas afins no tocante a defesa da sociedade e dos direitos difusos não é algo apenas necessário para o exercício do seu mister, mas imperioso para a construção deste novo forma-to de Ministério Público Social. Eis o grande desafio. A transformação dos conceitos e para-digmas institucionais passa necessariamente pela consciência da necessidade de modificação da própria visão dos membros do Ministério Público. O desafio de enfrentar situações novas que demandam estudos e ações propositivas de enfrentamento está intrinsecamente relacio-nado com a relevante missão que o Órgão Ministerial exerce perante a sociedade.
Bullying é uma das temáticas que exige conhecimento aprofundado, posto que é uma das formas silenciosas de violência que vem acarretando grandes malefícios/danos a crianças e adolescentes na sociedade. Fante e Pedra (2008, p.33) à luz de Tatum e Herbert (1999), ressaltam que “Bullying é uma palavra de origem inglesa adotada em muitos países para definir ‘o desejo consciente e deliberado de maltratar uma outra pessoa e colocá-la sob tensão”. Falar sobre bullying, é fazer menção a “[...] todas as atitudes agressivas, intencionais e repetitivas que ocorrem sem motivação evidente, adotadas por um ou mais estudantes con-tra outro(s), causando dor e angústia, e executadas dentro de uma relação desigual de poder, tornando possível a intimidação da vítima” (Lopes Neto e Saavedra apud Fante e Pedra, 2008, p.33).
Fante e Pedra (2008, p.34) nos ajudam a compreender ainda que:

Bully pode ser traduzido como valentão, tirano, brigão. Como verbo, bully, signifi-ca tiranizar, amedrontar, brutalizar, oprimir, e o substantivo bullying descreve o conjunto de atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, prati-cados por um indivíduo (bully) ou grupo de indivíduos com o objetivo de intimidar ou agredir outro indivíduo (ou grupo de indivíduos) incapaz de se defender. [...] O abuso de poder, a intimidação, a prepotência são algumas das estratégias que o bul-ly adota para impor sua autoridade e manter suas vítimas sob domínio. [...] Os bul-lies estão em toda parte [...] nos mais diversos contextos sociais.

Outros termos são empregados para se referir ao fenômeno “bullying”. Fante e Pedra (2008, p.34-35) elucidam:

São usados, por exemplo, mobbing, na Suécia e na Noruega e na Dinamarca; mobbning, na Suécia e na Finlândia; hercèlement quotidien, na França; prepotenza ou bullismo, na Itália; yjitime, no Japão; Agressionen unter Shulern, na Alemanha; acoso e amenaza entre escolares ou intimidación, na Espanha. Em Portugal, o ter-mo já é utilizado de forma politicamente correta. No Brasil, tivemos dificuldade para encontrar um termo equivalente que expresse o fenômeno com a mesma am-plitude do termo inglês. O termo intimidação não expressa as diversas e complexas possibilidades de ações empregadas nesta síndrome psicossocial.

Por possuir várias faces, torna-se difícil encontrar um termo, especialmente aqui no Brasil, que expresse as várias faces dessa violência.
De acordo com Middelton-Moz (2007, p.14):

Os comportamentos incluídos no bullying são vários: ofender, humilhar, espalhar boatos, fofocar, expor ao ridículo em público, fazer de bode expiatório e acusar, isolar, designar áreas de trabalho ou tarefas ruins ou negar férias e feriados no local de trabalho, dar socos, tapas, chutes, insultar, ostracizar, sexualizar ou fazer ofen-sas étnicas ou de gênero.

As vítimas do bullying podem reagir de diferentes formas. Middelton-Moz (2007, p.14) assevera:

As pessoas que se constituem como alvos do bullying costumam sentir vulnerabili-dade, medo ou vergonha intensos e uma auto-estima cada vez mais baixa, que pode aumentar a probabilidade de vitimização continuada. As vítimas podem ficar de-primidas e se sentir sem forças. Muitos dos que sofrem bullying por um longo pe-ríodo passam a manifestar tendências suicidas. Outros podem retaliar co atos de violência ou começar a exercer bullying contra terceiros. Infelizmente, muitas pes-soas a quem as vítimas procuram em busca de apoio desconsideram seus sentimen-tos com atitudes como ‘isso já aconteceu a todos nós, simplesmente ignore’ ou pensam que elas provavelmente mereçam. Para muitos o bullying se tornou tão normal [...] que fingem não o ver, tendo-se tornado insensíveis a seus efeitos de-vastadores. Outros vêem as manifestações de bullying, mas evitam intervir porque não se sentem capazes. Estudos indicam que dois terços dos atacantes em 37% dos tiroteios em escolas se sentiam perseguidos em função de seus longos históricos sofrendo bullying de seus colegas, que ser alvo de bullying é um fator importante no suicídio entre jovens [...]

Enquanto os profissionais de educação, saúde e operadores do direito, em função do desconhecimento sobre a matéria, continuarem a minimizar os efeitos lesivos desta forma cruel e perniciosa de agressão, encarando-a como brincadeira de época ou chacotas típicas da infância e adolescência, um incontável número de vítimas vai crescendo assustadoramente em nosso contexto social.
No mundo de hoje, onde a “modernidade” impera, tem que haver a consciência por parte do profissional da área jurídica da importância do trabalho educativo, por isso mesmo, essencialmente preventivo, para evitar que crianças e adolescentes possam se tornar pessoas adultas violentas e agressivas, que só sabem resolver seus problemas a base da força e da intimidação, porque foi esta a formação que receberam.
No caso do Bullying, as vítimas podem se tornar crianças e adolescentes com bai-xa auto-estima e com dificuldade de se relacionar socialmente. Mas, por falta de sensibilida-de dos profissionais que não entendem a importância do trabalho educativo/preventivo, um dia essas crianças/adolescentes (vítimas) podem explodir toda a angústia que traz consigo e chegam a agredir, suicidar-se ou matar. Aí sim, tornam-se alvo da preocupação de todos. Ou em alguns casos, da ira de todos.
O silêncio, diga-se, a omissão, expressa uma falta de preocupação com os outros, característica de um individualismo que também pode trazer consigo toques de violência. Middelton-Moz (2007, p.14) destaca:

Por meio de muitas entrevistas com pessoas que foram bullies durante toda a vida, até que alguém tivesse a coragem de intervir, soubemos que elas se sentem tempo-rariamente fortalecidas e que tanto elas quanto suas vítimas são prejudicadas pela impotência, pela apatia e pelo silencio de outros. Precisamos criar normas para o local de trabalho, para a escola [...] segundo as quais a agressão aos outros seja i-naceitável, não em função de leis rígidas ou de punições severas, mas porque nos importamos uns com os outros.

Este trabalho é uma forma de não pactuar com o silêncio, expressar a nossa preo-cupação com os outros, nesse caso, os que são vítimas de bullying, aliás, vítima de violência.

Comentários

4 comments posted
No contact policies are in

No contact policies are in force for a reason. If someone hits back the chances of that fight escalating further increase. Then someone can physically get really hurt. I am a 2nd grade teacher and our school has a no contact policy and I strictly enforce it in my classroom. They are always around adults and if someone hits them all they need to do is tell me and I will handle it (like any good teacher will do). As far as the bullying, which many people seem to be complaining about teachers no handling it… as a teacher… if you talked out every complaint of name calling, and teasing you would never have time to educate the children. It is a balancing act and it is hard. You have to try to determine when it’s a real case of bullying and when it is just silly tattling. Then it always goes into the he said she said battle. Lets face it… 1 teacher in a room with 20 something kids… it is impossible for the teacher to witness most interactions (unless they are a bad teacher and don’t allow much child/child interaction). You have to teach your child how to handle bullies because they will encounter them through out life… do you go punching people at work who bully you? If you have a concern as a parent that your child is being bullied at school you need to set a conference with the teacher to talk about it (and just remember that a child will only tell you one side of the story).

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Posted by Sailor (não verificado) on ter, 15/05/2012 - 01:13
Stanley, your son did the

Stanley, your son did the RIGHT thing to defend himself. Give him a high five for me!!! These schools that are adopting the no bullying policies are rediculous! At the school my son goes to you have to let someone hit you TWICE before you are “legitimately” eligible to hit back.. Last year my son (16ys old) was in an altercation where an older student saw him in the hallway, got up and walked out of the classroom he was in- in the middle of the class–and jumped on my sons back while punching him in the front of his head and face! My son had no clue the older student wanted to beat him up. As a matter of fact they used to be friends. I got a phone call at work telling me that my son was in an altercation, the school did not know what brought this on, I needed to go pick him up because they thought he had broken his hand fighting back. I got there and his face was cut, swollen, bruised and his hand was surely broken. So to the ER we went and then to the orthopedic surgeon to cast his broken bones in his hand. Later that evening I spoke with the “disciplinarian” and he told me that he wasn’t sure what type of punishment my son would be getting although the other student admitted that he did leave his class to start a fight with my son. There was definite intention there. Needless to say after I spoke my peace-swearing included–he did not receive punishment. He was too merely defending himself…

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Posted by Kalyn (não verificado) on dom, 22/04/2012 - 02:30
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Posted by znehyxz (não verificado) on sex, 20/04/2012 - 16:53
Stanley, your son did the

Stanley, your son did the RIGHT thing to defend hilesmf. Give him a high five for me!!! These schools that are adopting the no bullying policies are rediculous! At the school my son goes to you have to let someone hit you TWICE before you are legitimately eligible to hit back.. Last year my son (16ys old) was in an altercation where an older student saw him in the hallway, got up and walked out of the classroom he was in- in the middle of the class and jumped on my sons back while punching him in the front of his head and face! My son had no clue the older student wanted to beat him up. As a matter of fact they used to be friends. I got a phone call at work telling me that my son was in an altercation, the school did not know what brought this on, I needed to go pick him up because they thought he had broken his hand fighting back. I got there and his face was cut, swollen, bruised and his hand was surely broken. So to the ER we went and then to the orthopedic surgeon to cast his broken bones in his hand. Later that evening I spoke with the disciplinarian and he told me that he wasn't sure what type of punishment my son would be getting although the other student admitted that he did leave his class to start a fight with my son. There was definite intention there. Needless to say after I spoke my peace-swearing included he did not receive punishment. He was too merely defending hilesmf

Posted by Chakkarin (não verificado) on qui, 19/04/2012 - 08:15

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